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Na eletrônica, entender a diferença entre resistores ohmicos e não ohmicos é essencial para projetar circuitos confiáveis e analisar seu comportamento em diferentes condições de operação.
O que são Resistores Ohmicos
Resistores ohmicos são dispositivos que obedecem à Lei de Ohm, ou seja, a corrente que atravessa eles é diretamente proporcional à tensão aplicada, mantendo a razão entre essas grandezas constante ao longo de uma ampla faixa de operação.
Essa relação linear significa que, ao traçar um gráfico de tensão versus corrente para um resistor ohmico, o resultado é uma linha reta que passa pela origem, indicando que dobrar a tensão também dobrará a corrente, sempre respeitando a resistência medida em ohms.
Características Fundamentais
- Comportamento linear: A curva característica V-I é uma reta, o que simplifica muito os cálculos de projeto.
- Resistência constante: O valor em ohms não muda com variações de tensão ou corrente dentro da faixa especificada.
- Resposta em frequência: Em frequências de até dezenas de megahertz, a maioria dos resistores comuns mantém o comportamento ohmico, embora indutâncias e capacitâncias parasitas possam surgir em faixas mais altas.
Na prática, resistores de carbono, filmes finos e de metal são amplamente utilizados em aplicações onde a aproximação do comportamento ohmico é suficiente, como em divisores de tensão, limitadores de corrente e cargas em estágios de amplificação lineares.
Resistores Não Ohmicos
Do outro lado, temos os resistores não ohmicos, que não seguem a Lei de Ohm de forma estrita, apresentando uma relação não linear entre tensão e corrente, o que significa que a resistência efetiva pode variar conforme o ponto de operação no gráfico V-I.
Essa característica torna esses componentes interessantes para aplicações específicas, como em elementos de proteção, ajuste de ganho não linear e dispositivos que precisam responder de forma diferente a diferentes níveis de sinal de entrada.
Tipos Comuns e Aplicações
- Diodos: Apesar de serem componentes distintos, muitos diodos, especialmente os de silício, exibem uma curva V-I que não é linear, especialmente na região de condução.
- Varistores: Destacam-se por ter uma resistência que decresce drasticamente quando a tensão de pico atinge um determinado valor, sendo amplamente usados como proteção contra surtos.
- Termistores: São resistores cujo valor muda com a temperatura, podendo ser NTC (negativo) ou PTC (positivo), e são usados em sensores e circuitos de compensação térmica.
Além disso, certos tipos de resistores de filme fino, quando submetidos a grandes variações de tensão, podem demonstrar leve comportamento não ohmico devido a efeitos de campo elétrico intenso, um fator que engenheiros precisam considerar em aplicações de alta precisão.
Como Medir a Comportamento
Para classificar um resistor como ohmico ou não ohmico, realiza-se um teste simples de caracterização, aplicando-se diferentes tensões CC e medindo a corrente resultante em cada ponto.
Se os pontos medidos se alinharem em uma reta ao serem plotados em um gráfico, o componente se comporta como um resistor ohmico, enquanto uma curva definida por um expoente ou outra função indica comportamento não ohmico, o que é crucial para a seleção do componente correto.
Passeio pelo Laboratório
- Equipamentos básicos: Uma fonte de alimentação ajustável, um multímetro de boa precisão e um banco de resistores são os itens mínimos necessários.
- Método: Aumente a tensão gradualmente e registre os valores de corrente, criando uma tabela e, em seguida, um gráfico no software de sua preferência.
- Análise: Observe se a curva é uma reta (ohmic) ou apresenta ganho de inclinação (não ohmico), sempre levando em conta a temperatura ambiente do laboratório.
Essa abordagem experimental não apenas confirma a teoria, mas também ajuda a visualizar as diferenças práticas entre os dois tipos de resistores, algo que poucos livros de texto mostram de forma tão clara.
Considerações de Projeto
Na hora de escolher entre um resistor ohmico e um não ohmico, o engenheiro deve avaliar não apenas a relação V-I, mas também a estabilidade, a tolerância e o custo, fatores que podem tornar a solução óbvia ou exigir um compromisso criativo.
Em circuitos de alimentação, por exemplo, um resistor ohmico é geralmente a escolha ideal para limitar corrente de forma previsível, já que o comportamento linear garante cálculos de proteção mais simples e robustos.
Dicas Práticas
- Para aplicações lineares: Opte sempre por resistores ohmicos de filmes metálicos, que oferecem alta estabilidade e baixo coeficiente de temperatura.
- Para proteção contra sobretensões: O varistor é um exemplo de componente não ohmico que salva circuitos inteiros durante eventos de transiente.
- Em sistemas de controle: Resistores com comportamento não linear podem ser usados em realimentação específica, mas exigem simulação cuidadosa antes da implementação física.
Lembre-se de que o custo adicional de um resistor não ohmico geralmente se justifica apenas quando sua característica única é necessária para resolver um problema que um resistor comum não conseguiria enfrentar.
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Conclusão
Dominar a distinção entre resistores ohmicos e não ohmicos permite que qualquer entusiasta ou profissional de eletrônica tome decisões mais acertadas, criando circuitos mais eficientes e seguros, aproveitando ao máximo as peculiaridades de cada tipo de componente.